Destaques:
- Indústria global da música registra 11º ano consecutivo de crescimento, impulsionada pelo streaming.
- Brasil ascende à oitava posição entre os maiores mercados de música do mundo, com a América Latina liderando a expansão regional.
- Ascensão de artistas que cantam fora do inglês e o retorno do vinil marcam as tendências do setor, que também debate IA e fraudes.
A indústria global da música celebra um marco significativo, registrando seu 11º ano consecutivo de crescimento robusto e consolidando-se como um setor em plena efervescência. Em 2025, a receita global atingiu a impressionante marca de US$ 31,7 bilhões, um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior. Esse cenário de expansão, detalhado em um relatório recente da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), revela uma transformação profunda no consumo e na produção musical, com o Brasil emergindo como um protagonista de destaque.
O país, que historicamente possui uma rica e diversificada cultura musical, alcançou a oitava posição entre os maiores mercados de música do mundo. Essa ascensão é um reflexo direto da crescente influência da América Latina, que se firmou como a região de maior crescimento no setor, seguida pela África Subsaariana e pela união entre Oriente Médio e Norte da África. A força do streaming pago, a internacionalização do consumo e a adoção de novos modelos tecnológicos são os pilares que sustentam essa era dourada da música.
O pulso da indústria: crescimento e digitalização
O motor principal por trás desse crescimento contínuo é, sem dúvida, o streaming por assinatura. Atualmente, esse formato já soma 837 milhões de usuários globalmente, demonstrando a disposição do público em pagar por acesso a um vasto catálogo musical. Para Dennis Kooker, presidente de negócios digitais globais e dos EUA da Sony Music Entertainment, a decisão do consumidor de “abrir a carteira” é o sinal mais forte do valor percebido na música digital.
Executivos das maiores gravadoras apontam que a combinação estratégica entre o streaming pago e a capacidade de conectar artistas a audiências globais tem sido crucial. A digitalização não apenas facilitou o acesso, mas também criou novas avenidas para a monetização e a descoberta de talentos, redefinindo a dinâmica do mercado de música e sua economia.
O mapa da música se redesenha: o protagonismo latino
O relatório da IFPI não apenas quantifica o crescimento, mas também aponta para uma reconfiguração do mapa global da música. A China, por exemplo, ascendeu para a quarta posição, enquanto o México garantiu um lugar no top 10. No entanto, é a América Latina que lidera a vanguarda, impulsionando uma verdadeira revolução cultural que transcende fronteiras geográficas e linguísticas.
Artistas que cantam em idiomas diferentes do inglês estão ganhando um protagonismo global sem precedentes. O porto-riquenho Bad Bunny é um exemplo emblemático dessa mudança, com suas conquistas recentes em premiações internacionais. Victoria Oakley, CEO da IFPI, sintetiza essa tendência ao afirmar que “a música não precisa de passaporte”. No Brasil, artistas como Pabllo Vittar figuram entre os nomes com melhor desempenho em plataformas de streaming, evidenciando a capacidade do talento nacional de ressoar globalmente.
Alfredo Delgadillo, CEO e presidente da Universal Music México, destaca que essa tendência é alimentada pelo crescente apoio das gravadoras à narrativa de artistas locais, buscando formas de suas histórias e sonoridades conversarem com públicos ao redor do mundo. A espanhola Rosalía, com seu disco “Lux”, é outro exemplo citado por Kooker, ilustrando como a parceria entre artistas e gravadoras se fortalece, abrindo portas para visões artísticas autênticas e um entendimento mais profundo do público.
Além do streaming: superfãs, vinil e o desafio da IA
Enquanto o streaming domina, outros vetores de crescimento e engajamento ganham força. A ascensão dos chamados “superfãs” é um fenômeno notável. Esses consumidores, antes passivos, transformaram-se em agentes ativos de promoção, amplificando o alcance de seus artistas favoritos. Samira Leitmannstetter, vice-presidente de marketing regional da Europa, Oriente Médio e África da Warner Music Group, explica que as comunidades digitais são essenciais para transformar sucessos locais em fenômenos internacionais, criando uma rede de apoio e divulgação que transcende barreiras.
Paralelamente, formatos tradicionais ressurgem com vigor. A venda de mídia física voltou a crescer, impulsionada principalmente pelo vinil, que registra quase duas décadas consecutivas de alta. Esse movimento é atribuído à busca por experiências mais tangíveis e a um engajamento mais profundo dos fãs com a arte e o artista, valorizando o objeto físico como uma extensão da obra.
A inteligência artificial (IA) também se consolidou como um tema central na indústria. Executivos discutem o avanço de acordos entre gravadoras e empresas de tecnologia para o uso licenciado de músicas em sistemas generativos. A aposta é que a IA amplie as formas de criação e conexão com o público, desde que os direitos autorais sejam rigorosamente respeitados. Para mais informações sobre o cenário global da indústria, consulte o relatório completo da IFPI em IFPI.org.
A sombra da fraude: o desafio da integridade no streaming
Contudo, nem tudo são boas notícias. A preocupação com fraudes no streaming cresce, uma prática em que conteúdos falsos geram reproduções artificiais para desviar receitas. Victoria Oakley descreve essa prática como “roubo, simples assim”, ressaltando o impacto negativo sobre os artistas e a integridade do mercado de música. O desafio para a indústria é encontrar um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a necessidade de regulação e proteção dos direitos autorais, um ponto crucial para garantir a sustentabilidade do crescimento nos próximos anos.
O cenário atual da indústria musical é um mosaico de oportunidades e desafios. A ascensão do Brasil e da América Latina no ranking global não apenas celebra a riqueza cultural da região, mas também reafirma o poder transformador da música em um mundo cada vez mais conectado. Acompanhar essas tendências é fundamental para entender o futuro da arte e do entretenimento.
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Fonte: noticiasaominuto.com.br