Destaques:
- O Maranhão registrou 6.529 acidentes com animais peçonhentos em 2025, com escorpiões respondendo por quase metade dos casos.
- Em nível nacional, o Brasil já soma mais de 173 mil acidentes e 200 mortes por picadas de escorpião no mesmo período, com crianças e idosos sendo os mais vulneráveis.
- A proliferação de escorpiões em áreas urbanas exige atenção redobrada à prevenção e ao atendimento médico imediato em caso de picada.
O Maranhão acende um alerta de saúde pública com o alarmante número de acidentes envolvendo animais peçonhentos. Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que, em 2025, o estado contabilizou 6.529 ocorrências. Deste total preocupante, os escorpiões se destacam como os principais algozes, sendo responsáveis por 3.137 casos – quase metade do total.
A predominância dos escorpiões no cenário de acidentes com animais peçonhentos no Maranhão é um reflexo de uma tendência nacional. Após os escorpiões, as serpentes aparecem em segundo lugar com 1.728 casos, seguidas por abelhas (568), aranhas (549) e lagartas (128). A gravidade da situação maranhense é sublinhada pelo fato de que cerca de 45% dos acidentes no estado exigiram a aplicação de soro antiescorpiônico e internação hospitalar, evidenciando o potencial de risco à vida.
Um problema que se agrava em todo o Brasil
A situação no Maranhão não é um caso isolado. O Brasil enfrenta um cenário preocupante de aumento nos acidentes com escorpiões. Em 2025, o país já registrou mais de 173 mil acidentes e superou a marca de 200 mortes. Esses números ressaltam a urgência de medidas preventivas e a importância do conhecimento sobre como agir em caso de picada.
A vulnerabilidade é maior entre crianças e idosos. Nas crianças, devido à menor massa corporal, o veneno pode se espalhar mais rapidamente e causar efeitos sistêmicos mais graves. Nos idosos, a saúde mais fragilizada e a presença de outras comorbidades podem complicar o quadro.
Entenda os efeitos do veneno e os sintomas
O veneno do escorpião, predominantemente neurotóxico, age sobre o sistema nervoso, causando dor intensa e imediata no local da picada, que pode se irradiar para todo o membro afetado. Os acidentes são classificados em leves, moderados e graves, de acordo com a reação do organismo ao veneno.
- Casos leves: Caracterizados por dor local e inchaço discreto.
- Casos moderados: Os sintomas evoluem para suor excessivo, náuseas, vômitos e taquicardia (aumento da frequência cardíaca).
- Casos graves: Além da dor intensa, podem ocorrer salivação excessiva, insuficiência cardíaca, edema pulmonar (acúmulo de líquido nos pulmões) e, em situações extremas, levar ao óbito.
O que fazer e o que evitar em caso de picada
A agilidade no atendimento médico é crucial para o sucesso do tratamento. Em caso de picada, procure imediatamente o serviço de saúde mais próximo. Enquanto isso, algumas medidas podem ser tomadas, e outras devem ser rigorosamente evitadas:
O que fazer:
- Lave o local da picada imediatamente e suavemente com água e sabão. Isso ajuda a reduzir o risco de infecções secundárias.
- Mantenha a pessoa calma e, se possível, com o membro picado elevado.
- Compressas mornas podem ajudar a aliviar a dor até a chegada ao serviço de saúde.
O que NÃO fazer:
- Não use pomadas, cremes ou qualquer substância no local. Isso pode mascarar a lesão, dificultar a avaliação médica e não impede a ação do veneno.
- Não faça torniquetes, incisões ou sucção do veneno. Essas práticas são ineficazes e podem agravar a situação, causando necrose ou infecções.
- Não coloque gelo no local. Embora possa parecer um alívio inicial, o frio pode prejudicar a circulação e a absorção do veneno.
Prevenção: a melhor defesa contra os escorpiões
Os escorpiões desempenham um papel no equilíbrio ecológico, mas sua proliferação em ambientes urbanos representa um risco significativo. A urbanização desordenada, o acúmulo de lixo e entulho, e as mudanças climáticas que favorecem ambientes mais quentes e úmidos contribuem para o aumento desses animais nas cidades. A prevenção é a ferramenta mais eficaz para evitar acidentes. Confira dicas essenciais:
- Mantenha a casa e o quintal limpos: Elimine entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção, que servem de abrigo para escorpiões e seus alimentos (insetos).
- Lixo bem fechado: Mantenha o lixo em recipientes bem vedados para evitar a proliferação de baratas e outros insetos que são presas dos escorpiões.
- Controle de vegetação: Evite que folhagens densas, como trepadeiras, arbustos ou plantas ornamentais, encostem em paredes e muros, criando pontes de acesso.
- Vedação de frestas: Mantenha rodapés íntegros e pregados, e vede buracos em paredes, espelhos de tomadas, caixas de luz e frestas.
- Cuidado com roupas e calçados: Não deixe roupas sujas ou molhadas no chão. Sempre chacoalhe sapatos e roupas antes de usá-los.
- Móveis afastados: Afaste camas e móveis das paredes e evite que roupas de cama encostem no chão.
- Atenção em áreas de risco: Use calçados e luvas ao trabalhar no jardim, manusear materiais de construção ou em locais com troncos podres e buracos.
- Ralos protegidos: Mantenha os ralos do banheiro e cozinha fechados ou com telas de proteção.
A conscientização e a adoção de medidas preventivas são fundamentais para proteger a saúde e a segurança de todos. A informação contextualizada e apurada é a nossa principal arma contra os riscos dos animais peçonhentos.
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Fonte: g1.globo.com