Em uma nova e decisiva fase da Operação Caminhos do Cobre, deflagrada nesta segunda-feira (23/2), a Polícia Civil do Rio de Janeiro assestou um duro golpe contra uma rede criminosa sofisticada, especializada no furto e roubo de cabos e outros materiais metálicos. A ação, que mobilizou agentes para cumprir 42 mandados de busca e apreensão, transcendeu as fronteiras fluminenses, alcançando endereços em São Paulo, Minas Gerais e Tocantins. As investigações revelaram que o grupo em questão movimentou a impressionante cifra de R$ 418 milhões ilegalmente ao longo de cinco anos, com mais de R$ 500 mil já apreendidos na presente etapa.
Este esforço contínuo da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) da Polícia Civil do Rio busca desarticular organizações que sangram a infraestrutura do país, tendo como alvos prioritários concessionárias de serviços públicos, empresas de telefonia e TV a cabo. O crime de roubo de cobre, impulsionado pelo alto valor do metal no mercado internacional, não se resume a um mero delito patrimonial; ele se traduz em uma série de problemas que afetam diretamente a qualidade de vida, a segurança e a economia de milhões de cidadãos brasileiros.
A Engenharia do Crime: O Modus Operandi da Rede
As investigações da DRF desnudaram um modus operandi complexo e bem orquestrado. As ações criminosas ocorriam majoritariamente durante a madrugada, período em que a vigilância é naturalmente reduzida. Utilizando caminhões para a retirada dos cabos, muitas vezes subterrâneos e de difícil acesso, o grupo contava com o apoio de batedores em motocicletas. Estes batedores tinham a função crucial de monitorar a movimentação policial, bloquear vias estratégicas e alertar sobre qualquer presença suspeita, garantindo a fuga da equipe principal.
Após o roubo, o material — principalmente fios de cobre — era transportado para locais onde passava por um processo de recorte e descaracterização. Em seguida, era vendido para uma rede de ferros-velhos e empresas associadas ao esquema, que atuavam como elos essenciais na cadeia de receptação e comercialização do produto ilícito. Para mascarar a origem criminosa do dinheiro e dar uma aparência de legalidade às transações, os criminosos recorriam à emissão de notas fiscais falsas. Os lucros estratosféricos eram então pulverizados em diversas contas bancárias, dificultando o rastreamento pelos órgãos de controle financeiro. Somente o principal investigado do esquema teria movimentado mais de R$ 97 milhões, um montante completamente incompatível com sua renda declarada, o que reforça a natureza organizada e de lavagem de dinheiro das operações.
Impactos Profundos na Vida dos Cidadãos e na Infraestrutura
O roubo de cabos de cobre transcende as perdas diretas para as empresas. Ele se converte rapidamente em um problema de segurança pública e de infraestrutura. A retirada desses materiais, vitais para o funcionamento de redes elétricas e de telecomunicações, causa interrupções no fornecimento de energia, queda de serviços de internet e telefonia, deixando bairros inteiros sem comunicação ou às escuras. Semáforos inoperantes, problemas na iluminação pública e até a paralisação de trens e metrôs são consequências diretas que impactam a segurança, a mobilidade e a qualidade de vida da população. Cidades perdem a capacidade de manter seus serviços essenciais, e a sensação de insegurança aumenta em áreas sem iluminação.
Do ponto de vista econômico, as concessionárias são obrigadas a investir pesadamente na reposição constante desses materiais, gerando custos que, em última análise, podem ser repassados aos consumidores através de tarifas mais altas. Além disso, a presença de uma rede criminosa tão bem estruturada, operando em quatro estados distintos, revela a dimensão do desafio para as forças de segurança. A coordenação interfederativa e a troca de informações são cruciais para desmantelar esses grupos que atuam com expertise logística e financeira, explorando a demanda por metais no mercado informal e formal.
O Combate Contínuo e a Estratégia de Asfixia Financeira
A Operação Caminhos do Cobre é um reflexo do compromisso da Polícia Civil em enfrentar o crime organizado em suas diversas manifestações. Desde que a operação foi deflagrada, em setembro do ano passado, a DRF e outras delegacias parceiras têm intensificado as ações de fiscalização e combate. Mais de 430 fiscalizações foram realizadas em ferros-velhos, considerados peças-chave na cadeia de receptação do material furtado, resultando em aproximadamente 200 prisões.
Até o momento, a ofensiva policial já apreendeu cerca de 300 toneladas de fios de cobre e outros materiais metálicos, um volume que evidencia a escala do problema. Além das prisões e apreensões de materiais, a estratégia inclui a asfixia financeira dos grupos criminosos. Nesta última fase da operação, a Justiça autorizou o bloqueio de ativos financeiros e a apreensão de veículos e imóveis ligados aos suspeitos. O valor total de bens e ativos financeiros cujo bloqueio foi solicitado desde o início da operação já ultrapassa os R$ 240 milhões, demonstrando a robustez da estratégia de descapitalização das organizações e de combate à lavagem de dinheiro, impedindo que o capital ilícito seja reinvestido em novas atividades criminosas.
Casos como o da Operação Caminhos do Cobre reiteram a urgência de um combate firme e articulado contra o crime organizado, que se reinventa constantemente para explorar vulnerabilidades e lucrar à custa da sociedade. Para continuar acompanhando os desdobramentos desta e de outras operações importantes que impactam a segurança, a economia e o dia a dia do país, siga conectado ao Portal Pai D’Égua. Nosso compromisso é com a informação relevante, a análise aprofundada e o jornalismo que esclarece e contextualiza os fatos que realmente importam para você.